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Adália Alberto nasce em 1973 é natural de Leiria, Portugal. 

Em 1999 lança-se na realização de esculturas originais e participa no 1º Fórum de Artistas no Castelo de Leiria. 

Em 2000, realiza a sua primeira exposição individual, em Leiria. 

Em 2005 representa Portugal no 13º Salão de Arte de Saint-Maur-Des Fossés, Paris. 

Em 2007 recebe o Diploma de reconhecimento de Mérito do Elos Clube de Leiria; a Comenda da Associação Brasileira de Desenho e Artes Visuais, ABD e a Medalha de Honra de Mérito da Casa Museu Maria da Fontinha, Castro Daire. 

No ano de 2010 executou a escultura “ Senhora de Costas” em parceria com o artista plástico Rigo 23 para a exposição “Às Artes Cidadãos” no Museu de Serralves no Porto. 

Em 2013 foi comissária do Simpósio de escultura “Perpetram” em parceria com Câmara Municipal Porto de Mós, Leiria. 

Em 2015 participou no “Vera World Fine Art Festival” na Coordoaria Nacional em Lisboa onde recebeu o prémio especial “Aplauso do Júri”. 

No ano de 2017 trabalhou em parceria com o artista plástico Rigo 23 no projecto “ Itacoatiara”- cicatriz de Tordesilhas, Na Fundação Millenium Bcp, Lisboa. 

Em Portugal, já expôs de norte a sul. 

A sua obra está representada em Museus, Câmaras Municipais e Galerias de Arte e espalhada em colecções de arte em: Portugal, Espanha, França, Alemanha, Polónia, Itália, Inglaterra, Irlanda, Escócia, Bélgica, Suiça, Suécia, Rússia, Angola, Cabo Verde, Dubai, Libano, India, Chile, Estados Unidos da América o Brasil e a Grécia

2018 - "Primavera",  Mourão, Évora

2016  - “Veado”, Nazaré | Busto da República, Guimarães | Monumento aos 600 anos da Tomada de Ceuta, Pedrógão Grande 

2015  - “Laços”, Biscarrosse, França | “Afectos”, Alcobaça | Linguagem Corrente, Porto de Mós 

2014  - “Laços”, Pombal 

2013  - Escultura em homenagem à Industria extractiva e transformadora da pedra e à Calçada Portuguesa - Porto de Mós 

2011  - ”Cumplicidades”, Carregado, Lisboa 

2010 - “Pega de Caras”, Santarém 

2008 - “Calceteiro”, Porto de Mós | “ A Toureira”, Santarém 

2005 - Monumento aos 35 anos de carreira de Pedro Barroso em Riachos, Torres Novas 

ADÁLIA ALBERTO

“Adália Alberto ensaia / experimenta, não pretende ficar presa ou marcada com um estilo. 

As esculturas podem ser de cariz introspectivo, humorado ou provocatório. 

A artista considera que a arte é a visão crítica e provocatória da sociedade em que vivemos, conjugadas numa harmonia estética capaz ou não de provocar emoções por vezes difíceis de materializar. É uma interrogação constante sobre o nosso papel enquanto cidadãos, no mundo dito global, na tentativa de encontrar respostas às nossas inquietações. 

A arte permite não ficarmos reféns duma mera visão. A arte interpela-nos, provoca-nos, confronta-nos com uma sociedade onde o ser humano é constantemente posto à prova, na tentativa permanente de buscar a felicidade, aquilo que realmente o preencha na integra…” 

"Esculpindo os sonhos vou encontrando Felicidade"

 

Rigo 23

Nestas coisas de fazer arte nos dias de hoje. Os laços interpessoais são sempre muito importantes, de forma que o modo como conhecemos alguém fica muitos vezes inscrito nos alicerces da futura relação de trabalho.

 

A escultora Adália Alberto foi-me recomendada por um calceteiro de Porto de Mós, de forma que a sua obra, e o seu modo de ser artista, ficou para sempre ligado, a uma ideia de arte enraizada. Uma arte que sabe sobreviver no seu entorno. Uma arte autónoma e resistente.

 

Depois veio a experiência de trabalhar juntos. A dedicação, entusiasmo e profissionalismo da Adália são genuínos e contagiantes. Sempre pronta a aceitar novos desafios, a criatividade da Adália não se limita ao campo da estética mas também à resolução activa de problemas.

 

Uma alegria trabalhar com a Adália e o seu também incansável companheiro - Agostinho - agora além de companheiro na Vida também companheiro na aventura artística. 

 

Bem hajam ambos !

 

Com amizade e carinho,

 

Rigo 23

Artista Plástico

 
 

Pedro Barroso

“Passei um dia com Adália pela Serra d' Aire. Vi os seus olhos brilharem o tempo todo na paisagem, perscrutando, inquieta e criativa, as formas e texturas das pedras e das fragas.


Quando me pede, quase a medo, que lhe faça um texto, dou por mim sorrindo. Soubesse eu faze-lo em pedra e sonho, como ela, e tudo escorreria fácil, tal o trânsito de admiração que tenho pela sua obra, sobretudo pelas “suas mulheres”.


Conheço-lhe o jeito, a forma de ser. Fica muitas vezes em silêncio, olhando e pensando. Porque lhe faltam as palavras. As mesmas que lhe sobram, esculpidas no peito do sonho e nos fascinam. E eu escrevo, sim. Escrevo e descrevo o deslumbre dos corpos elegantes. Tal como a utopia e a carícia, numa viagem cheia de desejos infinitos.

 

Nesta mostra, uma vez mais, mulheres-coragem erguem-se do maciço, onde sempre habitaram, apenas despidas dos excessos de pedra que as ocultavam.
 

Sempre achei mágico, na arte da Escultura, o polido entendimento do que já lá estava, como sempre, oculto para quem não sabe. E que a Mestra vai buscar, directa ao corpo e à forma, sempre plena de instinto, de erotismo e de oferta.


A menina tímida que brincava com a pedra cresceu muito. É hoje um exemplo de renovação, interrogação e partida permanente. Do descritivo, partiu para a descoberta de simbolismos maiores, onde, com humor provocatório, a mulher sai por cima do trato vulgar e se converte em deusa superior, desafiadora de todos os tabus.


E como lhe sai fácil o sopro de vida nascido da matéria. A Adália esta cada vez mais a procurar o sonho que nos leva. E a ironia reside no seu ar simples, pacato, quase discreto. Como quem nos pede desculpa de ser, a cada dia, criativamente maior”.

 

Pedro Barroso 

Musico, autor e compositor

 

José Neto

À medida que os dispositivos geram mais e mais imagem a um ritmo uniformemente acelerado, o ruído e a confusão (fusão dos contextos) social aumentam e entorpecem os sentidos pelo que, nesta fase da minha vida penso como Nietzsche: «só a arte salva!».

 

Mas que arte, quando na nossa era tudo nos é apresentado mediaticamente como tal? Perante este dilema - e à falta de melhor critério - aplico a Navalha de Ockham (ou princípio da parcimónia) i.é., de entre tudo aquilo que o sistema me apresenta para consumir como sendo arte - ignoro tudo o que não seja simples. Faço essa filtragem porque a simplicidade me transmite paz.

 

Com base nesta certeza temporária daquilo que é (para mim) arte, sou levado a louvar todo aquele que produz algo que transmite paz ao próximo. A quem pratica isso eu chamo-lhe artista, porque ser artista é uma postura perante a existência, que obriga o humano a exprimir num suporte - os conteúdos da sua consciência.

 

É-se artista de duas maneiras antagónicas entre si:

- Por integração.

Neste caso o indivíduo opta pelo itinerário académico, submetendo-se à autoridade institucional, à identificação com o estilo, em função de um suposto evolucionismo histórico da arte ocorrido numa ilusória área de conforto psicológico, apoiado pelo artificialismo das categorias, das cronologias convencionadas pela História de Arte e pela contingência dos interesses.

- Por irreverência.

Neste caso o indivíduo questiona-se acerca do sentido da realidade e - num impulso súbito - assume o seu direito à diferença e emancipa-se em relação às convenções, fundamentando a materialização do seu pensamento, em nada mais que a sua consciência (a)perceptiva, reflectindo e marcando a sua posição pessoal perante a evanescência do tempo.

 

Considero que Adália Alberto pertence decididamente à segunda via acima indicada, porque faz o que sente e o que sente brota de si simplesmente - sem rodeios -, como exercício prático do seu pensar-feito-matéria.

 

As suas esculturas não seguem uma tipologia unitária. Em vez disso, cada peça - mesmo fazendo parte de uma série - representa um pensamento único. No entanto, ao contemplarmos um conjunto de trabalhos seus deduzimos a irrepetibilidade de tempos criativos distintos entre si, dos quais resultam figuras cujos corpos evidenciam:

- A harmoniosa e nua simplicidade da infância.

- A ironia dos papéis sociais impostos.

- A elegante iconoclastia do género feminino.

- A reflexão - vergada sobre si própria.

- A complexidade das relações humanas.

 

Em suma, o trabalho artístico da escultora Adália Alberto apresenta-nos a sua meditação acerca da diversidade da condição humana, trabalhando a pedra com a mestria própria de quem possui uma consciência impulsionada - pelo profundo fazer sarcástico - oriundo da experiência. É que, apenas essa pressão vivente permite a libertação dos sentimentos na matéria.

 

José Neto

Filósofo